quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O triste fim dos interruptores, seletores e botões



Gostaria de começar dizendo que não sou um daqueles ludistas que acham que tudo deveria ser como era em um passado mágico. Embora eu goste muito de uns carros antigos, há muita tecnologia boa e incrível nos veículos modernos. Paineis de LCD por exemplo são, sem dúvida, um grande avanço. Exceto por um grande problema: sabe aquele monte de botões, seletores e interruptores que sempre nos fascinaram? Eles estão oficialmente condenados.


Os botões e seletores ainda estão por aí, embora em número reduzido, mas é muito claro que são meros resquícios, e é apenas uma questão de tempo até que eles desapareçam por completo. Vendo os carros mais avançados como o Tesla Model S, nota-se isso, já que seu painel é formado basicamente por dois enormes iPads. Um em posição horizontal e outro em posição vertical.

No estande da Denso, um grande fornecedor de auto peças e eletrônicos, há um protótipo de habitáculo do futuro – e ele é cheio de telas sensíveis ao toque. Se essas telas são tão legais em celulares e tablets, por que não seriam legais em um carro, não é mesmo?

O problema tem mais a ver com a tela que com o toque, embora ambos estejam equivocados. No seu telefone você está olhando para a tela, interagindo diretamente com o aparelho; a resposta visual é essencial para operar essa interface.


Quando você está dirigindo, precisa passar o maior tempo possível olhando pela enorme janela à sua frente, e você opera a maioria dos controles com uma rápida espiada. Mas não é assim que funcionam as telas sensíveis ao toque. Pequenos botões em uma superfície de vidro liso precisam ser fitadas com os dois olhos.

Tudo o que você precisa fazer para comprovar isso é olhar para o céu.

Você já viu os controles da cabine de um avião? Há diversos tipos de botões e alavancas: em forma de carretel, em forma de coroa, em forma de estrela. Obviamente isso tem um bom motivo para ser assim: os pilotos sabem o que estão operando apenas pelo toque.

É exatamente isso que se perde quando mudamos os controles por telas sensíveis ao toque. A resposta tátil e a capacidade de sentir o controle faz parte da condução de um carro há muito tempo.




Tradicionalmente nós podemos tatear e saber qual botão aumenta o volume do rádio, qual liga a ventilação, como é a resposta do interruptor ao mudar de uma velocidade para a próxima, e tudo isso funciona muito bem. Mesmo sem luzes internas ou no painel, aposto que a maioria de vocês consegue encontrar e usar qualquer controle em seu carro.

As telas sensíveis ao toque são incríveis por vários motivos. Muitos mesmo. São lindas, mostram uma quantidade absurda de informações, mas nunca deveriam ser os únicos componentes de um painel.

E esse não é o único problema. Alguns carros como o Chevrolet Volt, o Cadillac ATS e todos os Lincolns estão substituindo os botões comuns por superfícies capacitivas lisas e sensíveis ao toque com imagens dos mesmos botões que um dia usaram. A tecnologia capacitiva usa eletrodos para “sentir” as propriedades condutivas de objetos – como um dedo, por exemplo. Então em vez de pressionar um botão físico e manter os olhos na estrada, você precisará ligar e desligar quatro coisas diferentes antes de finalmente encontrar a função que você queria acessar. E aí você bate o carro e morre.




Fabricantes, eu vos apelo: mantenham vivos ao menos alguns seletores, apenas os essenciais, mesmo que eles tenham funções redundantes em uma tela sensível ao toque. Deixem alguns botões nos carros do futuro. Botõezinhos legais, que fazem clic-clic… talvez uma alavanca, um interruptor, um seletor ou dois.

Podem usar desenhos modernos e retroiluminação de LEDs ou o que quiserem. Mas por favor, não matem os botões.

Fonte: Jalopnik Brasil
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